Quinta- feira - 20 de Novembro de 2008
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Pesquisas de Mercado
 
Pesquisas são partes da alma do marketing. Sabe por quê? Porque o marketing consiste, essencialmente, em satisfazer as necessidades e os desejos dos clientes. E, para conhecer essas necessidades e esses desejos, são necessárias as pesquisas.
Pesquisa é uma das atividades mais interessantes do marketing. É, também, uma atividade muito rica, com centenas (talvez milhares) de livros e artigos publicados a respeito.

Obviamente, não temos a menor pretensão de aprofundar o tema neste artigo. Nosso objetivo é apenas alertar o leitor para duas coisas e sugerir outras duas:

1. Nem tudo o que parece pesquisa ou é apresentado como se fosse pesquisa é, realmente, uma pesquisa. Pesquisa é uma atividade científica. Tem leis, regras, métodos. Não se pode fazer uma pergunta para cinco ou seis pessoas na rua e concluir que o resultado dessa enquete pode ser atribuído ao universo de estudo. Por outro lado, não é necessário entrevistar todos os integrantes de um universo de estudo para se obter uma resposta correta (com uma margem de erro razoável). Para as pesquisas quantitativas, com tratamento estatístico, a matemática encarrega-se de fornecer um número ideal de elementos da amostra para cada tamanho de universo pesquisado.


2. Existem empresas especializadas em planejar e executar pesquisas de marketing. Dado o grau de complexidade da tarefa e levando-se em conta que o pequeno empresário fornecedor de serviços tem outras atividades que são prioritárias, recomenda-se que essas empresas sejam contratadas para realizar esse serviço, quando ele for necessário. As informações colocadas aqui servem apenas como uma referência para melhorar nossa capacidade de julgamento do trabalho a ser solicitado, bem como do resultado que seja apresentado.

O que podemos concluir, do que foi dito até aqui, é que (1) Pesquisa é muito importante; (2) Pesquisa é coisa muito séria e não admite

“jeitinhos” ou improvisos e (3) Pesquisa costuma ser uma atividade de alto custo financeiro.

No entanto, existem dois tipos de pesquisa, que estão ao alcance de qualquer empresa, inclusive as menores.

São muito simples e muito baratas. Na verdade o custo financeiro desses dois tipos de pesquisa é praticamente zero e os seus resultados são extremamente valiosos. Trata-se da Pesquisa de Origem e da Pesquisa de Satisfação de Cliente.

PESQUISA DE ORIGEM

A pesquisa de origem nos dá como resultado a resposta a uma pergunta muito importante: qual é, ou quais são os canais de comunicação que funcionam para convencer os potenciais clientes a nos procurarem?
Temos à nossa disposição dezenas e dezenas de opções de investimentos em comunicação com o mercado. A maioria é puro dinheiro jogado fora. É preciso saber diferenciar os bons investimentos dos que não nos levarão a lugar algum. Muitas vezes nós investimos muito dinheiro, tempo e energia em processos de comunicação para divulgar nossa marca e, por mais interessantes que pareçam, esses investimentos não produzem, na prática, resultados relevantes.

Fazer Pesquisa de Origem significa, na prática, perguntar a TODAS as pessoas que batem à sua porta procurando por uma proposta, um orçamento, uma informação, qualquer coisa... “de onde o senhor (ou a senhora) obteve informação sobre a nossa empresa?” As respostas devem ser registradas (de preferência num arquivo de computador, tipo planilha ou tabela de dados). De tempos em tempos, os resultados devem ser tabulados para análise e discussão.
Não tenha dúvidas de que você terá grandes surpresas com os resultados. No caso da pesquisa de origem, os números costumam desmentir as percepções superficiais.

PESQUISA DE SATISFAÇÃO DE CLIENTE

As pesquisas têm uma característica muito interessante: é muito comum os empresários acreditarem muito nas pesquisas de prospecção de mercado, especialmente se elas trouxerem perspectivas alvissareiras, e não acreditarem nas pesquisas de satisfação de cliente, especialmente se elas trouxerem resultados negativos.

Uma pesquisa de satisfação de cliente, quando feita por uma empresa onde esta prática não é comum, sempre vai trazer algumas surpresas. Quem está prestando um serviço sempre toma o silêncio do cliente como aprovação do desempenho. Pensa que o cliente está 100% satisfeito simplesmente porque o cliente não está reclamando.
Quando resolve fazer uma pesquisa de satisfação do cliente o empresário tem, via de regra, certeza quase absoluta do conteúdo provável das respostas. Quando o resultado aparece vem a frustração. Depois vem a tentativa de justificar as respostas do cliente como produto da sua (dele) ignorância. Segue-se a revolta com a incompreensão e ingratidão do cliente, a desconsideração pelas dificuldades enfrentadas... enfim, bobagens desse tipo. Poucos, raríssimos mesmo, são os empresários que utilizam as respostas da pesquisa de satisfação de cliente como ferramentas corretas, portadoras de informações verdadeiras e úteis.

As pesquisas de satisfação de cliente são, com certeza, as pesquisas mais simples e baratas que uma empresa pode fazer. Um simples questionário entregue para o cliente ao final do processo de produção e consumo já é suficiente para trazer informações fundamentais para o sistema operacional.
Alguns detalhes, no entanto, precisam ser observados para a elaboração e aplicação de uma pesquisa de satisfação de cliente:
1. Deve-se fazer uma abordagem que estimule o cliente a ser sincero nas suas respostas. Ele precisa sentir que as respostas terão um destino nobre. Que os elogios serão tomados por incentivo para continuar fazendo bem-feito o que está bom e que as críticas serão consideradas construtivas, na medida em que orientarão o processo de correção daqueles pontos que ainda apresentam problemas.
2. As perguntas devem sugerir respostas muito objetivas. Evitar, por exemplo, perguntas do tipo: “O que você achou do nosso atendimento?” a menos que ela venha acompanhada de três ou quatro (o ideal é cinco) alternativas como “Ótimo”, “Bom” e “Ruim”.
3. Deixar o cliente à vontade para responder. Permitir que ele leve o questionário para casa ou sugerir um ambiente tranqüilo e reservado dentro da própria empresa. Não ficar junto a ele, olhando o que ele escreve. Isto é muito constrangedor.

Uma última, porém importantíssima, recomendação: acredite nos resultados desse tipo de pesquisa. Acredite que o cliente não tem o interesse mórbido de aborrecer você com respostas desagradáveis e negativas. Portanto, utilize as respostas obtidas nessa pesquisa como importante instrumento de avanço na melhoria permanente da qualidade do seu serviço.

Enio Padilha
Eng. Eletricista
Graduado pela UFSC, em 1986
www.eniopadilha.com.br
 
   

 
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