A
realidade das normas de segurança contra incêndio
no Estado revela um dado preocupante: mais de 50% das pessoas
não são alertadas quando os incêndios
iniciam, como nos trágicos incidentes que envolveram
em 2005 o Mercado Público, em Florianópolis,
e, mais recentemente, as instalações de uma
loja de artigos para caça e pesca, em Blumenau. De
quem é a culpa? Há controvérsias...
Os
sistemas automáticos e manuais de detecção
de incêndio, em conjunto com alarmes, sinalizadores de
abandono e intervenção, além dos sistemas
de controle predial, prestam um serviço essencial de segurança
para a vida humana e para o patrimônio imobiliário
da sociedade. A importância se torna maior principalmente
em casos de incêndio em prédios, hospitais, shoppings
ou em qualquer grande área de concentração
de público. Este conjunto de meios técnicos é destinado
a alertar, o mais rápido possível, a existência
de um princípio de incêndio para que, na maioria
dos casos, o extintor manual seja suficiente para controlar a
situação.
Entretanto, para garantir este serviço, é necessário um
projeto executivo baseado na análise dos riscos e a instalação
de um sistema capaz de abranger todas as áreas de risco de acordo com
as normas vigentes no Brasil.
Infelizmente estes projetos, em sua maioria, não estão alcançando
o nível de segurança desejado para garantir nossas vidas. O desconhecimento
e a falta de responsabilidade revelam hoje índices alarmantes: estima-se
que 90% dos sistemas implantados em todo o Estado estão em desacordo com
principais normas de segurança (como a NBR9441 e NBR10898). E mais, a
maioria está inoperante. Todos os envolvidos alegam que apenas estão
preocupados em conseguir a liberação do Corpo de Bombeiros, deixando
de lado os princípios éticos e profissionais de um engenheiro responsável. É válido
lembrar que não recebemos nenhum tipo de atestado que garanta a alforria
de nossas responsabilidades e atos, mesmo com certificados de construção
como o “Habite-se”.
Diversas falhas são observadas, desde a fiação utilizada
até as centrais “inventadas”, fabricadas sem seguirem quaisquer
padrões de normalização. O que se observa, na prática,
são empresas que literalmente“brincam com fogo”, atuando
no mercado sem realmente estarem preparadas e credenciadas pelo Conselho Regional
de Engenharia Arquitetura e Agronomia de Santa Catarina (CREA/SC).
A realidade é que engenheiros desconhecem a normalização
NBR9441 e NBR10898; centrais anti-incêndio “inventadas” são
vendidas com a idéia de serem seguras, levando consumidores a acreditarem
em uma falsa proteção que, em muitos casos, não oferece
qualquer manutenção preventiva. Nesta situação apresentada,
temos que refletir no que estamos fazendo, não buscando culpados, mas
soluções e atitudes. Ficar parados em berço esplêndido
não nos trará garantia alguma.
A única certeza é que exigências governamentais e autoridades
locais não estão conseguindo definir um serviço essencial
para a proteção de vidas humanas, e que ainda a maior garantia
de um sistema está na nossa boa vontade de projetar e executar corretamente.
Eng°
Elet. Rui Otte
diretor-presidente
da Engesul Produtos Eletrônicos,
integrante, há cinco anos, da Comissão de Estudos de Sistemas
Preventivos de Incêndio da Associação
Brasileira de Normas Técnicas
(ABNT)
rui@engesul.com |
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