Terça-feira - 06 de Janeiro de 2009
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Vidas em Risco

A realidade das normas de segurança contra incêndio no Estado revela um dado preocupante: mais de 50% das pessoas não são alertadas quando os incêndios iniciam, como nos trágicos incidentes que envolveram em 2005 o Mercado Público, em Florianópolis, e, mais recentemente, as instalações de uma loja de artigos para caça e pesca, em Blumenau. De quem é a culpa? Há controvérsias...

Os sistemas automáticos e manuais de detecção de incêndio, em conjunto com alarmes, sinalizadores de abandono e intervenção, além dos sistemas de controle predial, prestam um serviço essencial de segurança para a vida humana e para o patrimônio imobiliário da sociedade. A importância se torna maior principalmente em casos de incêndio em prédios, hospitais, shoppings ou em qualquer grande área de concentração de público. Este conjunto de meios técnicos é destinado a alertar, o mais rápido possível, a existência de um princípio de incêndio para que, na maioria dos casos, o extintor manual seja suficiente para controlar a situação.

Entretanto, para garantir este serviço, é necessário um projeto executivo baseado na análise dos riscos e a instalação de um sistema capaz de abranger todas as áreas de risco de acordo com as normas vigentes no Brasil.

Infelizmente estes projetos, em sua maioria, não estão alcançando o nível de segurança desejado para garantir nossas vidas. O desconhecimento e a falta de responsabilidade revelam hoje índices alarmantes: estima-se que 90% dos sistemas implantados em todo o Estado estão em desacordo com principais normas de segurança (como a NBR9441 e NBR10898). E mais, a maioria está inoperante. Todos os envolvidos alegam que apenas estão preocupados em conseguir a liberação do Corpo de Bombeiros, deixando de lado os princípios éticos e profissionais de um engenheiro responsável. É válido lembrar que não recebemos nenhum tipo de atestado que garanta a alforria de nossas responsabilidades e atos, mesmo com certificados de construção como o “Habite-se”.

Diversas falhas são observadas, desde a fiação utilizada até as centrais “inventadas”, fabricadas sem seguirem quaisquer padrões de normalização. O que se observa, na prática, são empresas que literalmente“brincam com fogo”, atuando no mercado sem realmente estarem preparadas e credenciadas pelo Conselho Regional de Engenharia Arquitetura e Agronomia de Santa Catarina (CREA/SC).

A realidade é que engenheiros desconhecem a normalização NBR9441 e NBR10898; centrais anti-incêndio “inventadas” são vendidas com a idéia de serem seguras, levando consumidores a acreditarem em uma falsa proteção que, em muitos casos, não oferece qualquer manutenção preventiva. Nesta situação apresentada, temos que refletir no que estamos fazendo, não buscando culpados, mas soluções e atitudes. Ficar parados em berço esplêndido não nos trará garantia alguma.

A única certeza é que exigências governamentais e autoridades locais não estão conseguindo definir um serviço essencial para a proteção de vidas humanas, e que ainda a maior garantia de um sistema está na nossa boa vontade de projetar e executar corretamente.

Eng° Elet. Rui Otte
diretor-presidente da Engesul Produtos Eletrônicos,
integrante, há cinco anos, da Comissão de Estudos de Sistemas Preventivos de Incêndio da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)
rui@engesul.com
 
   

 
CREA-SC - Conselho Regional de Engenharia Arquitetura e Agronomia de Santa Catarina
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