Terça-feira - 06 de Janeiro de 2009
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Valor de Mercado: o que é?

O termo valor tem vários significados. Alguns subjetivos e outros objetivos. Nós, avaliadores, cuidamos de avaliar bens reais, de natureza tanto tangível como intangível, mas que podem ser mensurados quanto ao valor que possuem. Essa medição se baseia em uma escala ditada pelo mercado de trocas do bem que se está avaliando. E o valor procurado se chama de valor de mercado.

Quando se diz que valor de mercado é o resultado de uma operação de compra e venda ideal, ocorrida entre duas pessoas não obrigadas a comprar e vender e conhecedoras do mercado, como consta na definição de valor de mercado na maioria dos livros que ensinam avaliações e nas próprias normas atuais e pretéritas, o que se está fazendo é definir valor de mercado pelo acessório e não pelo principal.

No seminário do IVSC ocorrido no Rio de Janeiro em novembro/2005, foram reapresentadas as normas internacionais no âmbito das Américas que também adotam essa mesma definição, coisa que foi repetida por Berrini há 70 anos. Essa definição tornou-se um estereótipo e ninguém mais se incomodou em ver que ela não passa de uma explicação parcial: o significado de valor de mercado só resvala no conteúdo dessa explicação, o sentido real geralmente não é percebido nem discutido, valor de mercado é uma medida, só isso.

"Concluímos: valor de mercado de um bem pode ser definido como o preço médio praticado nas vendas de bens similares naquele momento naquele mercado. Ou, de forma mais abrangente: é o resultado expresso em unidade monetária de uma estatística feita com os dados de eventos similares como são praticados usualmente ali."

Mas é preciso reconhecer que existem dois tipos básicos de avaliadores, distinguidos por suas respectivas metodologias: uns, baseados em pesquisa organizada sobre o comportamento do mercado e outros pela vivência no acompanhamento de operações de compra e venda. Pela necessidade de resumir, nesta explicação consideramos como sendo um engenheiro o avaliador que pesquisa, e um corretor de imóveis o que emite uma opinião baseada na experiência, porque é mais ou menos assim que essas duas classes se comportam diante da indagação de quanto vale um imóvel.

O corretor, por conhecer aquele mercado onde está o imóvel consultado, irá sem demora dizer a opinião de quanto ele vale. A habilidade no trato da atividade que desenvolve ditará a aproximação de sua avaliação com o valor de mercado que o imóvel poderá realmente ter.

O engenheiro precisa inteirar-se, estudar, consultar, ler as notícias e por último averiguar “in loco” os valores praticados nas vendas de imóveis similares. A partir daíé que será encontrado um resultado obtido de uma estatística procedida com esses dados.

Ambos os casos confirmam que o valor final é o resultado de uma estatística obtida a partir de eventos similares, cujos dados são colhidos naquele mercado. O engenheiro pela prática usual de seu trabalho se obriga a encontrá-lo através de um processo objetivo de estatística. O corretor processa sua estatística “de cabeça”, de forma direta, através da memória que lhe guarda o conhecimento de operações similares das quais participou ou foi informado.

Dos axiomas acima é fácil deduzir que aquele corretor tem sua área de ação limitada ao espaço em que atua e que aquele engenheiro tem os meios para avaliar em qualquer lugar onde for possível colher uma amostra contendo os dados dos preços de venda de bens similares ao avaliado.

Existe em nosso meio muita confusão a respeito do conceito da palavra valor, pois ela tem significado muito amplo. Mas essas discussões infindáveis têm pouca importância para a engenharia de avaliações: o que o engenheiro de avaliações busca é tão somente o valor que o bem avaliado possui no mercado de compra e venda, e isso se apresenta como um intervalo de valores em que os preços das vendas mais provavelmente ocorrerão.

Eng° Civil Léo Saraiva Caldas
Conselheiro do CREA-SC,
Eng. de Avaliações e Perícia e
membro do IBAPE-SC
leosaraivacaldas@yahoo.com.br

 
   
 
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