Foi assinado
em 5 de junho deste ano o Protocolo de Intenções
entre a EPAGRI – Empresa de Pesquisa Agropecuária
e Extensão Rural de Santa Catarina, UFSC – Universidade
Federal de Santa Catarina, FLORAM – Fundação
Municipal do Meio Ambiente e FAPESC – Fundação
de Apoio à Pesquisa Científica e Tecnológica
de Santa Catarina, que estabelece um consórcio para
a efetiva implantação do Jardim Botânico
de Florianópolis.
Com área total de 232 hectares, o Jardim Botânico desenvolverá ações
para estudos e preservação da ecologia do manguezal do Itacorubi
(200 hectares), administração da área do antigo lixão
(10 hectares) e nos 22 hectares atualmente ocupados pelo CETRE – Centro
de Treinamento da EPAGRI, onde serão desenvolvidos projetos para preservar
a biodiversidade, divulgar o mundo rural catarinense, utilizar o espaço
para cultura, lazer, exercício físico e documentar coleções
de plantas.
O CETRE sempre foi referência para o Brasil e exterior em cursos de Extensão
Rural. Tive a oportunidade e felicidade de participar, em 1970, do então
chamado Curso de Pré-Serviço em Extensão Rural, precedido
de um teste seletivo. Curso informal mas muito eficaz, de 360 horas/aula, que
municiou os futuros extensionistas com ferramentas, metodologias, dinâmicas
de grupo, princípios de filosofia, psicologia e sociometria para facilitar
a comunicação com agricultores e agricultoras, perseguindo melhor
qualidade de vida no ambiente agrícola.
O CETRE não poderia deixar de existir sem que a sua história fosse
preservada: palco inesquecível de educação e conhecimento,
pólo irradiador de tecnologias adaptadas à preservação
do meio ambiente, local de encontros freqüentes de diversos públicos
como crianças, jovens, adultos e idosos que sempre procuravam se atualizar
e interagir.
Pois chegamos ao jardim botânico. Um novo desafio e um avanço. Uma
vitória da sociedade catarinense que está sempre atenta e vigilante
na preservação do patrimônio público.
Acreditamos na juventude? É preciso acreditar, pois foi justamente do
Deputado mais jovem da Assembléia Legislativa de Santa Catarina, Cesar
Souza Junior, 27 anos , a autoria do projeto de Lei Complementar nº 0023.3/2007,
o qual, se aprovado, revoga o artigo 205 e seus parágrafos 1º e 2º da
Lei Complementar nº 381/07 (Lei da Reforma Administrativa do Governo). Este
artigo autoriza o poder executivo a alienar uma área nobre de 6,12 hectares
pertencente à área do Jardim Botânico.
A lógica do Poder Executivo é privatizar, ao menos em parte, áreas
do patrimônio público e destiná-las à especulação
imobiliária. Esta é uma lógica perversa até porque
na região já existe um grande adensamento urbano.
O jovem Deputado, com sabedoria, exercita a lógica inversa: o que é público
deve permanecer público. Dificilmente o privado será público,
a não ser por intervenção.
É preciso ter fé no Jardim Botânico: senti-lo visitado, apoiado
e engrandecido. Tenho certeza de que a sociedade está ansiosa por outras
duas ações: uma que viabiliza um Jardim Botânico, no qual
documenta coleções de plantas de clima temperado ou de altitude
elevada, como por exemplo, o Pinheiro Brasileiro (araucária), erva mate
e frutas. Outra que o jovem Deputado se ilumine novamente e faça gestão
política para que a área e instalações da Penitenciária
Estadual permaneçam públicas, para termos no local, no mínimo,
uma cidade do artesanato, com oficinas e comércio, a exemplo de algumas
capitais do Estado do Nordeste. Lá nos presídios, alguns do tempo
Imperial, as grades e as celas foram desativadas para prisão, mas aproveitadas
para confecção de artesanato e intercâmbio cultural.
Eng.
Agr. Antônio Augusto
Aquini
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