Um dos grandes desafios do Sistema Confea/Creas
para o futuro é o
de gerir os conflitos referentes às áreas conhecidas
como de ¨sombreamento¨ das profissões do Sistema
e ao mesmo tempo, promover a efetiva participação
dos profissionais nos projetos nacionais. Rebatizei a ocorrência
como ¨áreas de clareamento¨, pois são áreas
que estão sob a luz do conhecimento de mais de um
segmento profissional.
Em estudos realizados pela AEAMVI nos últimos dois
anos, estimamos que todos os profissionais do Sistema atuam
em apenas 3% do mercado. Os outros 97%, ou são áreas
relegadas ao abandono e ao esquecimento, como o desenvolvimento
de projetos públicos, ou são áreas de
atuação de leigos, como a favelização
das cidades, onde a própria população
atua.
O grande foco para onde os esforços do Sistema devem
ser redirecionados é a abertura deste grande mercado
para os profissionais de todas as áreas técnicas. É necessário
fiscalizar e orientar principalmente o poder público,
que é o maior infrator das normas legais e de engenharia,
como por exemplo: a atuação de leigos ou profissionais
exorbitando funções, a falta de projetos contextuais,
a não aplicação de modernas técnicas
de gestão de obras públicas que inclusive servem
de instrumento de combate a corrupção. Necessário
também a regularização do patrimônio
público, posto que em nossa região mais de
95% dos prédios públicos sequer possuem um
projeto de engenharia aprovado. Sem falar nas questões
que envolvem a pesquisa e o planejamento.
Somente com a efetiva participação dos profissionais
da engenharia, arquitetura, agronomia e de todas as áreas
técnicas num projeto de desenvolvimento do país é que
poderemos sair da incômoda posição de
Terceiro Mundo. E para tanto é necessário que
os profissionais se envolvam na busca de soluções
para os grandes problemas nacionais como os que envolvem
as questões de ocupação urbana. O poder
da posse, citado na revista Veja (30/12/2006), nas 10 janelas
que se abrem para o futuro, baseado em dados da ONU, informa
que, pela primeira vez, a população urbana
em 2007 superará a população rural.
Um bilhão vivem em barracos e o grande desafio será fazê-los
cidadãos, pois além da condição
de vida proporcionada por uma moradia regular, a propriedade
dá segurança e estabilidade, aumentando a renda
e abrindo acesso ao crédito.
No Brasil a ocupação irregular deve-se à ausência
de três fatores: de projetos multidisciplinares interagentes
e políticas públicas contextuais em todas as áreas,
ou seja, de um projeto de desenvolvimento para o país;
de uma política habitacional social voltada à inclusão
das pessoas de menor poder aquisitivo; e principalmente de
uma política de fiscalização integrada.
Fatores de incentivo à irregularidade e à ilegalidade
que comprovam que os planos diretores das cidades não
conseguiram atender às expectativas e se constituíram
em instrumentos ineficazes por si sós, no ordenamento
dos centros urbanos.
Neste contexto, faz-se necessário prosseguir com nosso
trabalho de construção de um país melhor,
utilizando nossas forças e energias não no
confronto entre as diversas profissões do Sistema,
mas na concentração dos nossos esforços,
pois todo desenvolvimento passa necessariamente pela classe
técnica.
Eng.
JULIANO GONÇALVES
Presidente AEAMVI -Associação
dos Engenheiros e Arquitetos do Médio
Vale do Itajaí e Conselheiro Federal
CONFEA
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