Terça-feira - 06 de Janeiro de 2009
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Desafios do sistema Confea/Creas


Um dos grandes desafios do Sistema Confea/Creas para o futuro é o de gerir os conflitos referentes às áreas conhecidas como de ¨sombreamento¨ das profissões do Sistema e ao mesmo tempo, promover a efetiva participação dos profissionais nos projetos nacionais. Rebatizei a ocorrência como ¨áreas de clareamento¨, pois são áreas que estão sob a luz do conhecimento de mais de um segmento profissional.

Em estudos realizados pela AEAMVI nos últimos dois anos, estimamos que todos os profissionais do Sistema atuam em apenas 3% do mercado. Os outros 97%, ou são áreas relegadas ao abandono e ao esquecimento, como o desenvolvimento de projetos públicos, ou são áreas de atuação de leigos, como a favelização das cidades, onde a própria população atua.

O grande foco para onde os esforços do Sistema devem ser redirecionados é a abertura deste grande mercado para os profissionais de todas as áreas técnicas. É necessário fiscalizar e orientar principalmente o poder público, que é o maior infrator das normas legais e de engenharia, como por exemplo: a atuação de leigos ou profissionais exorbitando funções, a falta de projetos contextuais, a não aplicação de modernas técnicas de gestão de obras públicas que inclusive servem de instrumento de combate a corrupção. Necessário também a regularização do patrimônio público, posto que em nossa região mais de 95% dos prédios públicos sequer possuem um projeto de engenharia aprovado. Sem falar nas questões que envolvem a pesquisa e o planejamento.

Somente com a efetiva participação dos profissionais da engenharia, arquitetura, agronomia e de todas as áreas técnicas num projeto de desenvolvimento do país é que poderemos sair da incômoda posição de Terceiro Mundo. E para tanto é necessário que os profissionais se envolvam na busca de soluções para os grandes problemas nacionais como os que envolvem as questões de ocupação urbana. O poder da posse, citado na revista Veja (30/12/2006), nas 10 janelas que se abrem para o futuro, baseado em dados da ONU, informa que, pela primeira vez, a população urbana em 2007 superará a população rural. Um bilhão vivem em barracos e o grande desafio será fazê-los cidadãos, pois além da condição de vida proporcionada por uma moradia regular, a propriedade dá segurança e estabilidade, aumentando a renda e abrindo acesso ao crédito.

No Brasil a ocupação irregular deve-se à ausência de três fatores: de projetos multidisciplinares interagentes e políticas públicas contextuais em todas as áreas, ou seja, de um projeto de desenvolvimento para o país; de uma política habitacional social voltada à inclusão das pessoas de menor poder aquisitivo; e principalmente de uma política de fiscalização integrada. Fatores de incentivo à irregularidade e à ilegalidade que comprovam que os planos diretores das cidades não conseguiram atender às expectativas e se constituíram em instrumentos ineficazes por si sós, no ordenamento dos centros urbanos.
Neste contexto, faz-se necessário prosseguir com nosso trabalho de construção de um país melhor, utilizando nossas forças e energias não no confronto entre as diversas profissões do Sistema, mas na concentração dos nossos esforços, pois todo desenvolvimento passa necessariamente pela classe técnica.

Eng. JULIANO GONÇALVES
Presidente AEAMVI -Associação dos Engenheiros e Arquitetos do Médio Vale do Itajaí e Conselheiro Federal CONFEA

 
   
 
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