Terça-feira - 06 de Janeiro de 2009
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Trocas de mantas: freqüente equívico


A constante busca, pelo melhor produto impermeabilizante, será, sempre, postura profissional da maior importância.

Ou seja: QUANDO se tratar, de fato, de um dano a ser evitado – ou reparado – pela ação de um desses produtos, tais cautelas farão toda a diferença.

E porque insisto no “QUANDO” ?....

Porque já “estou careca” de verificar que a maioria, absoluta, das infiltrações prediais, que encontro em minhas inspeções - sob terraços expostos, sacadas, boxes de banho, etc –, ocorrem POR TRÁS e POR BAIXO da impermeabilização existente. De fato, vejamos:

1 – Nenhuma elevação, de manta ou película moldada “in-loco”, pode elevar-se, nas periferias, além de uns 20 ou 30 centímetros, pois o emboço, por falta de chapisco, nestas faixas, “despencaria”.

2 - Desejáveis inserções de mantas nos paramentos (paredes ou platibandas) raramente serão contínuas, pois pilares ou pilaretes não podem ser cortados.

3 – Emboços, sobre elevações de mantas, raramente são armados; e quando o são, o “telamento” de reforço raramente se eleva até o emboço são (ancorado em chapisco), para assegurar a integridade da faixa.

4 – A estanqueidade pluvial dos paramentos verticais – notadamete fachadas e muros divisórios – costuma ser muito precária, o que implica em absorção de chuva e em sua migração, via gravidade, pelo interior da parede. E as paredes de boxes, encharcadas dos dois lados, dispensam mais comentários.

Vejam o caso de um terraço exposto: como as águas de São Pedro não se obrigam a chegar, ao plano impermeabilizado, da mesma forma que faz o enganoso enchimento (da rasa “piscina”) com mangueira de jardim, a culpa pelo freqüente “retorno” das infiltrações acaba sendo posta no lombo da equipe de fez a reforma.

Quanto à garantia, habitual, de 5 anos: como esta se refere ao PRODUTO (manta, emulsão, etc, etc), o fabricante “tira o dele da reta”, jurando, também, que a falha “só pode ter ocorrido durante a aplicação”...

Ora, se a chuva infiltrou-se POR TRÁS e SOB da camada vedante, garantias de 5, 50, ou 500 anos terão a mesma e ridícula utilidade.

Outro absurdo, que tenho observado, é a obtusa inserção de tubos extensores, nos condutores pluviais, para assegurar a “perpendicularidade” da grelha coletora (também dita “ralo”). Como se pode perceber, tal artifício tende a represar o “micro lençol freático” que flui sobre a manta (sob a camada de proteção mecânica), agravando o fenômeno da eflorescência calcária decorrente da natural (e inevitável) evaporação das chuvas que percolaram pela porosidade do piso acabado. Resultado: manchas esbranquiçadas e solturas de lousas...

Mas o leigo quer porque quer: “- Vazou ?.. Troca a manta !!...”

( e as empreiteiras, por óbvio, festejam ...) Resumindo: antes de contratar o primeiro “manteiro milagroso” que bate á sua porta, o condomínio deveria fazer um teste de estanqueidade, restrito ao “reservatório” existente (como fazem, no final das reformas, todas as empresas do ramo), com simples tamponamento dos ralos e enchimento a mangueira. A surpresa poderá ser grande...

Arq. Sylvio Rocha Nogueira
(003019-8 CREA-SC)
www.snogueira.com

 
   
 
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