Quinta- feira - 20 de Novembro de 2008
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Ilha dos Patos, Desterro, Florianópolis....para onde vamos?


Ilha perderá o seu visual verde dos morros em cinco anos e se transformará no caos urbano em menos de duas décadas, se o seu crescimento continuar desordenado.

Florianópolis perderá o seu visual verde dos morros em cinco anos e se transformará no caos urbano em menos de duas décadas, se o seu crescimento continuar desordenado, sem a preocupação com o ser humano e o meio ambiente.
Sugerimos antes de se pensar em uma quarta ponte entre a Ilha e o Continente haja um planejamento urbano integrado de todo o município pensando o cidadão, meios de transporte e malha viária para não se criar mais um apêndice na colcha de retalhos que já é o Plano Diretor e a malha viária.


Cremos que nossa Ilha possui condições de ser salva, desde que se apressem leis severas para conter a ganância e a especulação. Com a expansão dos bairros, como os de Santa Mônica e Saco Grande, onde se instalaram os shoppings Iguatemi e Floripa, o centro da cidade pode ser revitalizado e transformar-se em um corredor cultural com seus atrativos já existentes. Para isso, é necessário que haja um conjunto de medidas, entre as quais incentivos à iniciativa privada para investir em empreendimentos e eventos, além da valorização de ruas tradicionais, como ocorreu em Paris, Londres e outras cidades centenárias.


Como arquiteto e urbanista e, Professor do curso de Arquitetura e Urbanismo da Unisul , lamentamos que muitas favelas e a própria desordem do crescimento tenham tido o aval de políticos para obterem dividendos eleitorais, ao mesmo tempo em que a ocupação de bairros nobres esteja driblando leis e mesmo alterando o plano diretor com a conivência do legislativo.


- A lei proíbe a ocupação dos morros além da cota 100, mas se vê a olho nu o desaparecimento do verde nos morros, aleatoriamente ocupados sob a omissão dos governantes. No Balneário de Canasvieiras, por exemplo, todos sabem que não existe mais pescador artesanal, mas a Prefeitura faz vistas grossas para edificações travestidas de ranchos de pescadores com todos os equipamentos para famílias passarem o verão. E muitos ranchos tiveram autorização para tomar a frente da praia em direção ao mar.

ANTES DE TUDO O CIDADÃO
Lamentamos que ao longo de muitos anos a cidade tenha sido pensada e transformada para beneficiar automóveis, enquanto o cidadão é obrigado a conviver com os resultados das distorções.


- A humanização da Ilha poderia ter contemplado o transporte marítimo, mas o crescimento descomedido fez a cidade virar as costas para o mar. O transporte marítimo aliado a um transporte urbano, sério e bem planejado poderia dispensar por um bom tempo ainda uma nova ligação entre a ilha e o continente, reduziria o engarrafamento e daria um toque especial à vida na Ilha conjugada com o mar. Temos 42 praias que deveriam estar integradas no cotidiano da cidade e só pensamos nela no verão.


Simplesmente dilapidaram o patrimônio natural, a cidade perdeu o magnetismo com a descaracterização de seus morros, da sua orla e sobretudo da sua identidade histórica vinculada com o mar. Não vemos, nas atuais circunstâncias, como evitar o caos urbano nas próximas duas décadas. A malha viária está esgotada pelos equívocos de planos mal feitos, os sistemas de água e de esgoto ultrapassados, os serviços de transporte coletivo é ineficiente e corporativo, enquanto que favelas crescem dentro da cidade, como ocorre, aliás, nas grandes cidades. Tudo isto, somado à destruição do meio ambiente, torna a nossa cidade sedentária, quando deveria exibir o melhor nível de qualidade de vida pelo privilégio de dispor recursos naturais inigualáveis.


Condenamos a pressa de se querer uma quarta ponte a qualquer custo. São estas medidas que descaracterizam ainda mais a cidade. É preciso que o poder público, com seriedade e comprometimento com a Ilha atuando em conjunto com a sociedade civil organizada, intervenha de forma a ordenar o crescimento, tomar medidas severas para coibir abusos e planejar a ocupação e preservação de áreas, de forma a fazer prevalecer a qualidade de vida como meta prioritária. A Ilha precisa de propostas sérias dos seus governantes, sob pena de sucumbir e dela nada sobrar para as próximas gerações.


Sílvio Hickel do Prado
Professor do curso de Arquitetura e Urbanismo – UNISUL
silvio.prado@unisul.br

 
   
 
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