Ilha
perderá o seu visual verde dos morros em cinco
anos e se transformará no caos urbano em menos de
duas décadas, se o seu crescimento continuar desordenado.
Florianópolis perderá o seu visual verde dos
morros em cinco anos e se transformará no caos urbano
em menos de duas décadas, se o seu crescimento continuar
desordenado, sem a preocupação com o ser humano
e o meio ambiente.
Sugerimos antes de se pensar em uma quarta ponte entre a
Ilha e o Continente haja um planejamento urbano integrado
de todo o município pensando o cidadão, meios
de transporte e malha viária para não se criar
mais um apêndice na colcha de retalhos que já é o
Plano Diretor e a malha viária.
Cremos que nossa Ilha possui condições de ser
salva, desde que se apressem leis severas para conter a ganância
e a especulação. Com a expansão dos
bairros, como os de Santa Mônica e Saco Grande, onde
se instalaram os shoppings Iguatemi e Floripa, o centro da
cidade pode ser revitalizado e transformar-se em um corredor
cultural com seus atrativos já existentes. Para isso, é necessário
que haja um conjunto de medidas, entre as quais incentivos à iniciativa
privada para investir em empreendimentos e eventos, além
da valorização de ruas tradicionais, como ocorreu
em Paris, Londres e outras cidades centenárias.
Como arquiteto e urbanista e, Professor do curso de Arquitetura
e Urbanismo da Unisul , lamentamos que muitas favelas
e a própria desordem do crescimento tenham tido o aval
de políticos para obterem dividendos eleitorais, ao
mesmo tempo em que a ocupação de bairros nobres
esteja driblando leis e mesmo alterando o plano diretor com
a conivência do legislativo.
- A lei proíbe a ocupação dos morros
além da cota 100, mas se vê a olho nu o desaparecimento
do verde nos morros, aleatoriamente ocupados sob a omissão
dos governantes. No Balneário de Canasvieiras, por
exemplo, todos sabem que não existe mais pescador
artesanal, mas a Prefeitura faz vistas grossas para edificações
travestidas de ranchos de pescadores com todos os equipamentos
para famílias passarem o verão. E muitos ranchos
tiveram autorização para tomar a frente da
praia em direção ao mar.
ANTES
DE TUDO O CIDADÃO
Lamentamos que ao longo de muitos anos a cidade tenha sido
pensada e transformada para beneficiar automóveis,
enquanto o cidadão é obrigado a conviver
com os resultados das distorções.
- A humanização da Ilha poderia ter contemplado
o transporte marítimo, mas o crescimento descomedido
fez a cidade virar as costas para o mar. O transporte marítimo
aliado a um transporte urbano, sério e bem planejado
poderia dispensar por um bom tempo ainda uma nova ligação
entre a ilha e o continente, reduziria o engarrafamento e
daria um toque especial à vida na Ilha conjugada com
o mar. Temos 42 praias que deveriam estar integradas no cotidiano
da cidade e só pensamos nela no verão.
Simplesmente dilapidaram o patrimônio natural, a cidade
perdeu o magnetismo com a descaracterização
de seus morros, da sua orla e sobretudo da sua identidade
histórica vinculada com o mar. Não vemos, nas
atuais circunstâncias, como evitar o caos urbano nas
próximas duas décadas. A malha viária
está esgotada pelos equívocos de planos mal
feitos, os sistemas de água e de esgoto ultrapassados,
os serviços de transporte coletivo é ineficiente
e corporativo, enquanto que favelas crescem dentro da cidade,
como ocorre, aliás, nas grandes cidades. Tudo isto,
somado à destruição do meio ambiente,
torna a nossa cidade sedentária, quando deveria exibir
o melhor nível de qualidade de vida pelo privilégio
de dispor recursos naturais inigualáveis.
Condenamos a pressa de se querer uma quarta ponte a qualquer
custo. São estas medidas que descaracterizam ainda
mais a cidade. É preciso que o poder público,
com seriedade e comprometimento com a Ilha atuando em conjunto
com a sociedade civil organizada, intervenha de forma a ordenar
o crescimento, tomar medidas severas para coibir abusos e
planejar a ocupação e preservação
de áreas, de forma a fazer prevalecer a qualidade
de vida como meta prioritária. A Ilha precisa de propostas
sérias dos seus governantes, sob pena de sucumbir
e dela nada sobrar para as próximas gerações.
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