A realização da Convenção
Mundial de Engenheiros de 2008 para o Brasil é obter
uma grande conquista e, ao mesmo tempo, impor-nos um respeitável
desafio.
O Confea (Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia),
a Febrae (Federação Brasileira de Associações
de Engenheiros) e a WFEO (Federação Mundial
de Engenheiros) assumiram o compromisso de organizá-la
com sucesso igual ou ainda maior que o das versões
anteriores, em Hannover (Alemanha) e Xangai (China).
Nos primeiros três anos de preparação,
investimos muita energia, esforço e responsabilidade
de envergadura correspondente às expectativas que
precedem o maior e mais importante evento da engenharia mundial.
Para o Brasil, um acontecimento nessa área e desse
porte é, em primeiro lugar, conseqüência
do interesse crescente pela engenharia no país.
Em segundo lugar, demonstra a relevância do tema em
questão, "Inovação com Responsabilidade
Social", no dia-a-dia de atores corporativos, entidades
de representação da categoria e até mesmo
de órgãos públicos.
Por último, confirma a ascensão do Brasil ao
oitavo lugar no ranking dos países que mais recebem
eventos internacionais, segundo dados recém-divulgados
pela Associação Internacional de Congressos
e Convenções.
Prova-nos que a engenharia é a profissão do
futuro por um motivo nobre: caminhando lado a lado com o
compromisso social, esclarece-se a verdadeira dimensão
do exercício profissional de um engenheiro.
O Confea, que hoje reúne um universo de 900 mil profissionais,
200 mil empresas e mais de 1,2 mil entidades, tem consciência
da necessidade de realizar um congresso à altura da
engenharia brasileira.
A engenharia, aliás, trata-se de um diálogo
universal, que faz interfaces com todos os temas rodeados
pela idéia de futuro sustentável: indústria,
infra-estrutura, água, saúde, energia, habitação,
biodiversidade.
Por ser atividade considerada essencial ao processo de inovação
tecnológica, a falta de investimentos nessa área
representa retração importante dos potenciais
tecnológico e inovador nacionais: é o que ocorre
hoje com o Brasil, o chamado "apagão do conhecimento",
situação caracterizada por profunda escassez
de profissionais qualificados no mercado.
Os números revelam por que o cenário é tão
grave: por causa do aquecimento econômico e o conseqüente
aumento da demanda por grandes obras de infra-estrutura no
país, hoje o déficit de engenheiros no mercado
brasileiro ultrapassa os 45 mil, constituindo uma das principais
barreiras ao bom andamento do PAC. Com isso, já neste
ano importaremos mais profissionais estrangeiros para gerenciar
grandes construções, em vez de contratar engenheiros
brasileiros.
Eng. Agr.
Ricardo Veiga
vice-presidente
em exercício do Confea
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