Terça-feira - 06 de Janeiro de 2009
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Instalações elétricas – perigo doméstico

 


            Uma matéria da TV Globo teve grande repercussão ao divulgar fatos e estatísticas pouco conhecidos da sociedade sobre as conseqüências de uma instalação elétrica inadequada. Transcrevemos aqui, em texto, a matéria veiculada:
            “Fios desencapados, extensões com muitas tomadas, indiferença e falta de controle: a vida doméstica no Brasil pode dar muito choque. O número de vítimas é alto. Nesta semana, Dayana completaria 3 anos. A menina, que morava em Maceió, morreu em fevereiro vítima de um choque elétrico com um fio desencapado. A mãe não se conforma com o acidente.
            ‘Falar me dói um pouco. Não vou dizer que esqueci. Só isso que eu tenho a dizer’, lamentou a diarista Ana Paula Souto.
            Um levantamento do Ministério da Saúde aponta que a cada ano são registradas seis mil mortes e mais de 140 mil internações na rede pública de crianças abaixo de 14 anos, vítimas de acidentes domésticos.
            O choque elétrico está entre os acidentes mais comuns. O músico Nivaldo Ornellas tomou um grande susto no palco. No meio de um show, levou um choque violento quando tocou em um microfone.
            ‘Quebrei algumas costelas, o úmero no ombro e várias contusões, porque eu caí de costas. Tive que usar um colete de metal durante seis meses e seis meses sem tocar’, lembrou o músico Nivaldo Ornellas.
             A maioria dos acidentes com eletricidade poderia ser evitada. Os choques são capazes de provocar queimaduras graves.
            ‘Isso vai depender do tempo de exposição e a intensidade da corrente elétrica. Quando ocorre a queimadura por eletricidade, os níveis de tecidos todos são acometidos, desde a pele até o tecido ósseo’, explicou o ortopedista Henrique Brandão.
            Uma grande mudança promete deixar as ligações elétricas mais seguras no Brasil, que hoje não têm um padrão para tomadas e equipamentos. Cerca de 20 modelos diferentes existem nas lojas e muitas vezes são conectados de forma perigosa.
            Os modelos de tomadas, plugues e extensões disponíveis hoje no mercado oferecem riscos porque permitem situações como o encaixe parcial dos pinos. A corrente elétrica pode já estar circulando. Se a pessoa entra em contato com os pinos, pode levar um choque. O mesmo risco acontece quando apenas um pino é encaixado.
             As novas tomadas brasileiras terão uma depressão, que permite apenas o encaixe total, sem possibilidade também de um encaixe de apenas um dos pinos.”

            A participação de profissionais qualificados (formação escolar específica na área elétrica) e habilitados (com registro no Crea) em projetos e execução de instalações elétricas de qualquer porte, e, conforme previsto na legislação do sistema Confea/Creas, que conheçam e atendam as normas da ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas e da NR-10 - Norma Regulamentadora nº 10 - Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade, do Ministério do Trabalho e Emprego, é requisito mínimo indispensável para evitar acidentes em instalações elétricas, na maioria das vezes fatais ou com seqüelas graves.
            A norma NBR 5410 - Instalações Elétricas em Baixa Tensão, estabelece no item 4.1.1 Proteção contra choques elétricos: “As pessoas e os animais devem ser protegidos contra choques elétricos, seja o risco associado a contato acidental com parte viva perigosa, seja a falhas que possam colocar uma massa acidentalmente sob tensão.” Com esse objetivo, uma das medidas foi normatizar a utilização de disjuntores e interruptores com dispositivos a corrente diferencial-residual nas instalações. Esses dispositivos provocam o desligamento da energia elétrica no caso de contato com um ponto energizado, evitando as conseqüências perigosas do choque elétrico.
            Prevê ainda a norma NBR 5410, entre outras medidas, a utilização de dispositivos de proteção contra surtos de tensão, que evitam danos em eletrodomésticos e prejuízos aos usuários, e o aterramento adequado das instalações, importante para evitar choques elétricos em equipamentos.
            Deve ser levado em conta ainda que grande parte dos incêndios em edificações são causados por curto-circuito nas instalações, provocados na maioria das vezes por problemas no isolamento dos cabos elétricos, causados por aquecimento devido principalmente ao dimensionamento incorreto da fiação ou sobrecarga nos circuitos, provocados pela instalação de equipamentos elétricos não previstos no projeto.
            O Estado regulamenta uma profissão quando entende que sua prática indevida coloca em risco a sociedade, o que motivou a regulamentação da Engenharia, Arquitetura e Agronomia, entre elas a área de Engenharia Elétrica que engloba as profissões do Engenheiro Eletricista, Eletrônico, de Telecomunicações, Computação, Controle e Automação, dos Tecnólogos e Técnicos Industriais da área elétrica. É importante que as atividades ligadas a essas áreas sejam executadas por profissionais legalmente habilitados (com registro no Crea), que detenham o conhecimento necessário para que sejam projetadas e executadas de acordo com as normas técnicas e de segurança, dentro da boa técnica ensinada nas escolas em cursos criados para esse fim.
            A exigência da ART – Anotação de Responsabilidade Técnica, pelo contratante do serviço desses profissionais, permitirá que sejam responsabilizados pelos serviços prestados, assegurando ainda sua legalidade e que sejam fiscalizados pelo Crea.

 

Eng. Eletricista Paulo Miguel de Aguiar
Assessor Técnico – Crea-SC

 
   
 
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