O
CARVÃO COMO MATRIZ ENERGÉTICA
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Secretário
Executivo do SIECESC, Eng. Minas Fernando Luiz Zancan |
A
demanda mundial por energia irá quase dobrar até o
ano de 2030. Estudos da Agência Internacional de Energia
- IEA demonstram que restariam somente 16% das reservas de
petróleo. Até lá, quais serão
as alternativas de matrizes energéticas mais viáveis
para controlar o déficit? Confira em entrevista com
o Secretário Executivo do SIECESC - Sindicato da Indústria
da Extração de Carvão do Estado de Santa
Catarina, Eng. Minas Fernando Luiz Zancan, porque o Carvão,
apesar de ser uma das fontes mais poluentes de energia, poderá ser
uma das fontes energéticas do futuro. Veja qual a
amplitude e os principais impactos sócio ambientais
da atividade de mineração de carvão
do Estado e as novas tecnologias para a sua extração. -
Quais os números sobre as usinas de Carvão
Mineral do Brasil e SC? Temos
1.414 MW de usinas em operação, sendo
Jorge Lacerda o maior complexo termelétrico da América
Latina com 857 MW. A Usina Termelétrica Sul Catarinense – USITESC – está em
processo de licenciamento ambiental junto a FATMA. É uma
usina de 440 MW, ou seja, metade da capacidade de Jorge Lacerda
e deverá gerar cerca de 860 empregos diretos entre
mina e usina, empregando cerca de 2 mil pessoas durante sua
construção, em 36 meses. - Qual a tecnologia a ser utilizada na USITESC?
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Mina
de Carvão |
O
projeto da Usina foi concebido no conceito de Ecoplex,
ou seja, um complexo que tem na simbiose industrial
o aproveitamento
de todos seus subprodutos. Na limpeza dos gases de enxofre,
por exemplo, com adição de um reagente (amônia)
passa-se a produzir um fertilizante (sulfato de amônia)
que o Brasil importa. Com as cinzas oriundas da combustão
do carvão pode-se fazer cimento – hoje cerca
de 45 % de um saco de cimento produzido no sul do Brasil é cinza
de carvão. Portanto, além de energia, a USITESC
disponibilizará para o mercado subprodutos que teriam
que ser produzidos e consumiriam mais insumos e energia. Portanto
esse tipo de projeto é chamado de complexo
industrial ecológico pois analisando o ciclo todo
temos um ganho ambiental. Outro ganho ambiental é o
fato da usina usar como combustível, um percentual
de rejeitos de carvão e disponibilizar parte das cinzas
alcalinas para projetos de recuperação ambiental
que estão sendo conduzidos pelas mineradoras na região.
A tecnologia usada é a combustão Leito Fluidizado
que é considerada uma tecnologia limpa de carvão
e todos os padrões de emissões atendem a legislação
nacional e padrões internacionais. Sob
o ponto de vista econômico o projeto é um
indutor para a ligação ferroviária de
239 Km entre Imbituba e Araquari (Joinville) conectando a
ferrovia Tereza Cristina com a malha nacional, pois deverá buscar
calcáreo (usado na captura dos gases de enxofre) em
Vidal Ramos e poderá levar cinza para as fábricas
de cimento do Paraná ou mesmo induzir a construção
de uma fábrica de cimento em Vidal Ramos. Por outro
lado alavancará o Porto de Imbituba e poderá viabilizar
a cadeia produtiva de fertilizante, fazendo com que Santa
Catarina seja um estado exportador de Fertilizantes. Portanto
esse projeto transcende a região carbonífera
tornando-se um projeto de Estado. -
Como estão as ações do Plano
de Recuperação
Ambiental da Bacia Carbonífera da região? A
bacia carbonífera de Santa Catarina, hoje está sendo
recuperada num dos maiores projetos do Brasil deste tipo.
Desde maio de 2000 estamos desenvolvendo o projeto que envolve
a recuperação de 5500 hectares de área
comprometida pelos antigos métodos de mineração
- ou seja desde o final do século dezenove - e com
o foco nos recursos hídricos. O projeto conta com
a participação do Serviço Geológico
Nacional – CPRM - e com uma equipe de engenheiros,
geólogos e técnicos num total de 14 e que tem
buscado não só caracterizar o problema e desenvolver
modelos de solução adaptados à nossa
realidade, mas também já desenvolver projetos
executivos a serem realizados pelas empresas. As empresas
por sua parte estão desenvolvendo ações
de recuperação ambiental na suas áreas. -
Como estão os trabalhos da Frente Parlamentarem
Defesa do Carvão? Quais resultados foram alcançados? A
Frente Parlamentar Mista em Defesa do Carvão Mineral
tem o objetivo de discutir com o executivo as ações
necessárias para colocar o carvão mineral na
agenda do Governo Federal, para que possamos ter uma política
que de sustentação ao crescimento do setor.
As ações de uma política passam por
um tratamento, no mínimo igualitário, as outras
fontes energéticas, especialmente as importadas. Passam
também por ações de apoio a pesquisa e desenvolvimento
e de formação de recursos humanos para a cadeia produtiva do
carvão mineral. Também por ações na área
de logística, como por exemplo, a viabilização das interligações
ferroviárias para desenvolver as novas jazidas de carvão. Ações para que seja possível retomar o inventário
dos combustíveis fósseis sólidos (carvão, turfa,
linhito) cujos os recursos orçamentários estão na Lei
10.848/2005 e que estão paralisadas desde o inicio da década
de 80. Enfim
o que o setor necessita é ser reconhecido pelo Governo Federal
com um importante segmento para a segurança energética nacional
e de elevado impacto no desenvolvimento e no incremento de emprego e renda.
Só o fato de ser instalada a Frente parlamentar já é significativo
e a representatividade da frente faz com que as ações sejam mais ágeis. -
Quais os principais impactos sócio-ambientais da
atividade de mineração de carvão
no estado? Como
impactos sócio ambientais temos a geração
de cerca de 4000 empregos diretos e direta influência
na economia da região carbonífera, com a melhoria
da qualidade de vida da população face a geração
de impostos que ficam na região tipo os royalties
(CFEM) que são aplicados nas prefeituras o que permitem
investimentos em saúde, educação etc.
No caso de SC temos um faturamento da ordem de R$ 30 milhões
por mês, recursos que na sua grande maioria vem de
fora do estado e são internados na economia da região
carbonífera. Em municípios como Treviso, Forquilhinha
e Siderópolis o carvão é primeira atividade
econômica. Considerando a cadeia produtiva – mina/usina/ferrovia – temos
cerca de R$ 700 milhões de movimentação
econômica, gerando cerca de R$ 100 milhões
de impostos. -
Qual a possibilidade do carvão tornar-se uma das únicas
saídas para suprir o déficit de energia nos
próximos anos? O
carvão está melhor distribuído no
mundo (75 países tem reservas) com uma vida útil
de cerca de 200 anos, o que garante a segurança de
suprimento. As atuais reservas de carvão representam
66% das reservas de combustíveis fósseis do
Brasil – 2,77 vezes a reserva de petróleo. O
Brasil tem uma cultura de geração de energia
a base de hidráulicas, mas cada vez mais fica difícil
executar projetos de larga escala face aos impactos ambientais
destes projetos, e os potenciais hidráulicos mais
competitivos estão se esgotando e ficando mais longe
(ex: Amazônia). O
carvão mineral continuará crescendo no mundo
a taxas de 1,5% ao ano e o desenvolvimento das tecnologias
limpas, que tem hoje elevados investimentos de pesquisa e
desenvolvimento na busca de emissões zero, devem fazer
com que haja um incremento de 1.390 GW de usinas novas a
carvão, sendo 420 GW nos países desenvolvidos
(dados do IEA/2004). O Brasil deverá gerar todas
as formas de energia para atender a demanda anual de
3.8 GW. -
Qual a maior vantagem do uso de carvão mineral
sobre as outras fontes de energia não renováveis?
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Medição
de Gases
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A
energia a partir do carvão é uma das mais
baratas e está cada vez mais reduzindo seu impacto
ambiental. O
gás natural está mais concentrado que o petróleo – 60%
das reservas estão em 4 países. O boom do gás
nesta década levará fatalmente ao incremento
significativo no seu preço. A gaseificação
de carvão pode ser uma solução para
médio e longo prazo, tanto que empresas produtoras
de gás da Inglaterra estão hoje buscando discutir
as soluções tecnológicas. Quanto
as fontes renováveis de energia, além de serem caras tem
problemas: de interligação e baixo fator de carga (eólica),
precisam de grandes áreas (para fazer 1000 MW com biomassa é necessário
5000 Km2). Sempre será necessário uma back up de energia fóssil.
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As energias alternativas, como a solar e a eólica,
poderiam um dia substituir totalmente as matrizes energéticas
mais utilizadas atualmente? Os
estudos apontam para que até 2030, 90% do incremento
de energia seja em base fóssil (IEA – Agencia
Internacional de Energia). As renováveis crescerão
em base maior que as fósseis, mas em 2030 ainda teremos
somente cerca de 10 % de energia renovável.
Com o advento do seqüestro de carbono a participação
do carvão deverá ficar estável (22%
da energia primária mundial em 2030). A energia para
os países pobres, incluído o Brasil, deverá ser
barata e ambientalmente correta. Ou seja, a nossa população
deverá poder pagá-la. Portanto devemos ter
serenidade e usar o nosso conhecimento para, sem idealismos,
avaliarmos a melhor matriz energética para o país.
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