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de 200 profissionais, representantes e presidentes dos CREA’s do Rio Grande do Sul, Paraná,
Santa Catarina, São Paulo e Bahia, e ainda representantes
da Mútua nacional e do CDEN – Colégio de
Entidades Nacionais participaram do seminário regional
sul do projeto Pensar o Brasil Construir o Futuro da Nação,
promovido pelo Confea, que aconteceu nos dias 26, 27 e 28.07
em Florianópolis, nos Ingleses, organizado pelo CREA-SC.
O resultado do evento foi um documento que reuniu diversas propostas,
mostrando como os profissionais do sistema podem colaborar com
os futuros governantes para um país mais justo, com melhor
qualidade de vida e segurança para todos. A carta final
do evento será apresentada na 63ª Semana de Engenharia,
Arquitetura e Agronomia (SOEAA), entre os dias 24 e 30 de agosto,
em Maceió. O último seminário do projeto
acontece a partir de hoje até 9.08 em Recife–PE.
"Será que temos uma efetiva participação
nas decisões maiores e a retribuição que
o setor merece?", questionou o presidente do CREA-SC, Eng.
Agrônomo Raul Zucatto na abertura do evento. "Construir
uma sociedade para o futuro é oferecer contribuições
para qualidade de vida, segurança, condições
para o desenvolvimento sustentável em todos os seus níveis.
Este é o início de um processo que está sendo
deflagrado, visando uma maior inserção política
dos profissionais da área tecnológica, com o objetivo
de contribuir no planejamento de um país melhor",
comentou.
O presidente
do Confea, Eng. Civil Marcos Túlio de Melo
reforçou: "Precisamos nos organizar e ter a categoria
mobilizada para se fazer presente, pois não temos um processo
dentro da necessidade nacional que gere emprego e renda. O país
precisa e espera esta colaboração de cada um de
nós".
Para o presidente
do CREA-RS, Eng. Agrônomo Gustavo Lange,
o projeto é uma maneira interessante de mostrar a importância
das categorias e reforçar o papel dos técnicos
nas administrações públicas, colaborando
para a inserção de pessoas mais capacitadas.
O Eng. Agrônomo Jonas Dantas dos Santos, presidente do
CREA-BA destacou: "Representamos um universo de mais de
800 mil profissionais e temos um nível de posicionamento
tão baixo. Devemos buscar a articulação
necessária para fazer valer muitas das prerrogativas consignadas
inclusive em lei. E a sociedade deve incorporar este processo
e dar aos profissionais a oportunidade de participar", finalizou.
Palestras– O ex-presidente do CREA-PR e diretor da COPEL-PR,
Eng. Agrônomo Luiz Antônio Rossafa abriu o evento
com a palestra "A Agricultura e os desafios do século
21", na qual frisou que não se consegue pensar em
um universo separado para agricultura. "Temos que agregar
valor ao modelo atual e o compromisso umbilical de se ressuscitar
as estruturas de produtividade e inovação",
explicou lembrando que tudo o que a agricultura produz, efetivamente
não se transforma em alimento".
O perfil
do novo profissional de engenharia foi um dos destaques da
palestra do ex-reitor da UFSC, professor Diomário Queiroz,
no segundo dia do seminário . Apresentando dados sobre
formação de engenheiros no estado (hoje são
4000 novos engenheiros por ano só em Santa Catarina),
Queiroz falou sobre as necessidades dos profissionais que desejam
sobreviver no novo mercado. As inovações tecnológicas,
informática e micro-eletrônica provocaram mudanças
na forma de produção e no mercado, forçando
a redução no número de vagas.
Dessa maneira,
segundo Queiroz, hoje o emprego formal está ameaçado.
Mas o ex-reitor destacou que ainda há espaço para
profissionais empreendedores. "O perfil dos trabalhadores
muda e ele tem que estar pronto para adaptar-se várias
situações dentro da empresa e no mercado".
Após a palestra de Queiróz, o Eng. Agrônomo
e pesquisador Zenório Pianna começou o debate apontando
os principais motivos pelos quais o Brasil não desenvolva
tanto a tecnologia quanto necessita. O país destina 1,26
bilhão de reais para o setor de Ciência e Tecnologia,
mas apenas 20 a 30% desse valor são aplicados no setor.
Em relação ao PIB, o Brasil destina cerca de 1,8% à C&T,
enquanto a Coréia do Sul, modelo de desenvolvimento no
mundo, destina 3% do PIB para o setor. "O Brasil produz
bastante conhecimento, mas muito pouca tecnologia", completou.
Para encerrar
o tema, o professor da PUC-RS Milton Barcellos falou sobre
propriedade intelectual. Sobre a proteção
da propriedade intelectual, o professor destacou alguns pontos
importantes, como verificar os bancos de dados com registros
de patentes, para ver se não há pesquisas na mesma área
em que o pesquisador está atuando, e pensar na demanda
que a tecnologia ou pesquisa possa ter. Ele ressaltou a importância
da proteção da patente: "Muitas vezes o pesquisador
busca o reconhecimento acadêmico, e não pensa na
propriedade do material".
O segundo tema a ser discutido na tarde de quinta-feira foi meio-Ambiente.
O presidente da Associação Brasileira de Engenheiros
Sanitaristas Nacional (ABES), Eng. Sanitarista José Aurélio
Boranga, começou sua palestra alertando para a necessidade
de se ter uma visão global do saneamento e meio-ambiente,
porque os resultados sempre são sentidos num contexto
maior. Boranga citou o exemplo do buraco da camada de ozônio,
que, segundo ele, não possui mais solução. "Temos
agora que definir se a catástrofe da camada de ozônio
vai acontecer em 100 ou 1000 anos. Só depende do nosso
comportamento em relação ao meio-ambiente",
alertou.
Sobre políticas públicas, Boranga informou que
está em tramitação na Câmara dos Deputados,
depois de ter sido aprovada no Senado, a Lei Geral do Saneamento.
Para Boranga, e também para o engenheiro Afonso Veiga
Filho, um dos debatedores, a lei estabelece bons parâmetros
para a área no Brasil.
Veiga Filho fez um histórico de como foi a organização
do setor de saneamento no Brasil, com ênfase no período
pós-1970, ano da criação do Plano Nacional
de Saneamento, Planasa. O plano durou até 1986 e foi
o balizador das políticas no setor, mais ou menos como
deve acontecer com a Lei Geral. Na época de criação
do Planasa também foram criadas as companhias estaduais
de saneamento, como a Casan, da qual Veiga Filho é fundador.
Com sua experiência no setor, o engenheiro atribuiu o
atual estado das companhias, a maioria quebradas, à má gestão
e ao seu uso político.
O uso correto
da água foi defendido por Boranga, que
lembrou que, apesar de o Brasil possuir grandes reservas, elas
estão muito distribuídas em seu território.
Por isso, ele defende a criação de pólos
industriais descentralizados, para evitar o caos urbano que acontece
nas metrópoles.
O terceiro
dia do seminário começou com a palestra
do eng. civil e consultor Francisco de Assis sobre habitação
e ocupação do solo. Inicialmente, Assis, que foi
secretário de Transportes do município de Florianópolis,
analisou os dados sobre urbanização no Brasil,
destacando o fenômeno da "favelização".
Um dos principais motivos para esse problema, de acordo com Assis, é a
má distribuição da receita tributária
no país, já que os municípios – entes
responsáveis pela implantação dos planos
diretores – recebem apenas 11% do total arrecadado.
Outro aspecto abordado foi a falta de política habitacional
permanente no Brasil. Segundo o palestrante, não há continuidade
dos novos governantes em relação aos programas
implantados de seu antecessor, o que explica a ineficácia
de muitas políticas do setor. Assis também apresentou
propostas, como a consolidação dos programas
já existentes por novos governos e a melhoria da implantação
das políticas habitacionais.
A palestra
foi seguida por um debate com o arquiteto Renato Saboya e os
engenheiros Olavo Kucker e Aécio Breitbach.
Saboya levantou a questão sobre a eficácia dos
planos diretores como parte da política habitacional,
usando como exemplo a cidade de Florianópolis. A capital
possui plano diretor baseado no zoneamento, que determina número
máximo de andares, recuos e outras características
dos imóveis. Para o arquiteto, muitos bairros da capital
têm sua paisagem moldada em razão do zoneamento,
o que demostra que, mesmo com falhas, o plano diretor é um
método eficaz de planejamento.
A mesa recebeu
mais de vinte perguntas da plenária. Uma
das questões mais polêmicas levantadas pelos participantes
foi a concessão de moradias gratuitas à população
carente, como programa habitacional de governo. Para Assis, esse
tipo de projeto é insuficiente para a solução
do problema habitacional, já que muitas famílias
optam por vender o imóvel para obter dinheiro e continuam
vivendo em moradias precárias.
Energia
em debate - A segunda mesa de debates
do dia foi composta por engenheiros especialistas no setor
de energia. O secretário de planejamento
do Ministério de Minas e Energia, eng. Márcio
Zimmermann, falou sobre o Plano Decenal de expansão
energética, que foi implantado neste ano. Ele destacou
ainda a importância da fonte hidráulica na matriz
energética, já que esse é um recurso renovável
e apresenta vantagem competitiva para o Brasil.
O contraponto
do debate foi a exposição do engenheiro
e jornalista Paulo Ludmer, que fez duras críticas às
políticas de energia dos últimos governos. O valor
da energia repassado aos consumidores foi o alvo de protestos
por Ludmer. "O poder aquisitivo do consumidor brasileiro
não é o da Europa, não é o dos EUA,
e mesmo assim a nossa energia residencial e comercial tem o preço
igual ao desses países", afirmou.
O painel
recebeu ainda a palestra do diretor da Tractebel Energia, eng.
Marco Antônio do Amaral, que propôs a divisão
do mercado de energia com o setor privado, sugerindo a abertura
de capital das subsidiárias da Eletrobrás. O presidente
da Associação Nacional dos Consumidores de Energia
(ANACE), eng. Paulo Mayon e o diretor executivo da Associação
Brasileira das Grandes Empresas de Transmissão de Energia
Elétrica (ABRATEE), eng. César de Barros Pinto
também participaram do debate.
Resultados - O
evento terminou na noite de sexta com a exposição
das conclusões dos debates realizados ao longo do evento.
Todos os temas abordados – agricultura, transportes,
empregabilidade e tecnologia, saneamento, habitação
e energia – foram analisados por grupos de relatores
e transformados em propostas de políticas públicas
em cada setor. O documento apresentado em Florianópolis
será encaminhado ao Confea e deverá ser apresentado
aos candidatos à Presidência da República
durante a 63a Semana de Engenharia, Arquitetura e Agronomia
(SOEAA), entre os dias 24 e 30 de agosto, em Maceió.
O encerramento
do seminário teve a presença dos
coordenadores regional e nacional do "Pensar o Brasil",
Eng. Elet. José Antônio Latrônico Filho e
Eng. Luiz Carlos Soares, respectivamente, além do presidente
do CREA-SC, Eng. Agrônomo Raul Zucatto, do CREA-RS, Eng.
Agrônomo Gustavo Lange e do vice-presidente do CREA-PR,
Eng. Civil Gilberto Piva. O presidente do CREA-SC destacou o
sucesso do evento e parabenizou as delegações do
Paraná e Rio Grande de Sul, que trouxeram um número
expressivo de profissionais.
Já o presidente do CREA-RS, Eng. Gustavo Lange ressaltou
a relevância do seminário e o fato dos profissionais
estarem ali reunidos pelo comprometimento com o futuro do país. "Podemos
dizer que fizemos nossa parte", concluiu Lange. O seminário
foi oficialmente finalizado com o sorteio de um pacote de viagem
para Maceió, para participação na 63a SOEAA.