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Qualidade - Os japoneses não são líderes por acaso

Recentemente a TOYOTA superou a GM e tornou-se a maior montadora do Planeta. Mas isso não aconteceu por acaso. Sabem por que? Leiam após esta reportagem.

Toyota, Nissan e Honda aumentarão produção nos EUA
Portal Estadão - 1/11/2006
Número total de veículos superará os 5,4 milhões de veículos

Tóquio - Os fabricantes japoneses Toyota, Nissan e Honda aumentarão em 30% sua capacidade atual de produção combinada nos Estados Unidos até o ano de 2010, informou nesta segunda-feira a imprensa econômica japonesa.
O total de unidades superará os 5,4 milhões de veículos. Isto acontecerá com a construção da oitava fábrica da Toyota no país , perto dos estados de Indiana e Kentucky, onde a firma já tem fábricas, segundo o jornal "Nihon Keizai".
A empresa, fabricante do Prius e primeira de seu setor no Japão, produzirá entre 100.000 e 150.000 jipes de porte médio Highlander anualmente. A Toyota aumentará sua capacidade de produção na América do Norte de 1,6 para 2,2 milhões de unidades em 2009.
Já a Nissan planeja aumentar sua capacidade de produção nos Estados Unidos de 1,3 a 1,6 milhão de veículos anuais no ano fiscal de 2008.
A Honda, por sua vez, construirá em 2008 uma nova fábrica em Indiana com uma capacidade de 200.000 veículos, elevando sua capacidade na América do Norte de 1,4 para 1,6 milhão de unidades.
Como os três fabricantes japoneses controlaram mais de 30% do mercado americano em 2004, espera-se que o novo aumento fortaleça essa cota, diz a imprensa.

Esta liderança não é por acaso. Na verdade a QUALIDADE, responsável pelo resultado, foi implantada no Japão pelo norte-americano William Edwards Deming, nos anos 50, como um dos requisitos da dominação, após o Japão ser derrotado pelos Estados Unidos. Na ocasião, como forma de impor sua cultura ao vencido, o Governo dos EUA enviou seus técnicos com a missão de implantar a "ocidentalização" no Japão. Dominados, os próprios japoneses - seguindo suas seculares tradições - entendiam que precisavam conhecer muito bem o seu dominador e não apenas aceitaram mas também procuraram aprender com o "inimigo", única forma de entendê-lo - daí as "famosas" excursões de empresários e estudantes japoneses aos EUA, com suas inseparáveis máquinas fotográficas e gravadores registrando tudo.

Na verdade Deming era um estatístico e apaixonado por controle da qualidade. Reunido com os principais empresários japoneses, aprendeu sobre suas vocações e tradições empresariais e ensinou-os a controlar seus negócios reunindo informações na produção e interpretando-as estatisticamente. Mais adiante ele decidiu formular "programas de melhoria" baseado na tendência de medir e comparar os resultados alcançados e finalmente, criou uma competição entre as empresas onde os resultados financeiros e o comportamento mercadológico permitiam mensurar e comparar o desempenho entre empresas. Finalmente ele formulou a sua política da QUALIDADE com os "14 pontos" que o tornariam famoso. A competição empresarial japonesa passou a ter um disputado "Prêmio Deming", assim chamado em sua homenagem, na Federação das Empresas do Japão. Findo o período de trabalho no pós-guerra, Deming voltou aos EUA e ao seu trabalho, agora como consultor da Qualidade. Trabalhou em inúmeros projetos de melhoria em empresas e também em comunidades, desde que houvesse um objetivo de melhoria. Nunca escreveu um livro. Escolhia sempre alguém do grupo para escrever sobre o projeto em desenvolvimento caso a caso.

Então o Japão mostrou, nos anos 70, o seu "milagre" ao mundo. Intrigados os Norte-americanos investigaram e descobriram o "Prêmio Deming" com um estranho nome americano a impulsionar a criatividade, a melhoria e os lucros dos empresários japoneses. Procurando, acabaram por descobrir o Consultor Norte-Americano. Deming morreu em 1995, famoso com quase cem anos de idade, trabalhando incansavelmente, agora para a indústria automobilística norte-americana, que assim recuperou sua hegemonia mundial, perdida nos anos 70 para o Japão.

Mas eles estão aí de volta. A TOYOTA é a maior montadora do mundo. O que os impulsiona?
Só vejo uma palavra que se possa deduzir dessa situação. Mas antes vamos pensar um pouco.

Como os brasileiros vêem a QUALIDADE? Será que todos estão dispostos a aceitar regras rígidas e mudanças de comportamento que afetam não apenas seu trabalho mas também a sua vida íntima? Será que temos disposição para colocar os resultados e mudar nossas atitudes acima de nossos velhos hábitos? Como será que os norte-americanos, senhores do presente e do futuro, se sentem em relação a procedimentos onde não predominam a inteligência e a capacidade pessoal de cada um?

Isto mesmo! O segredo é este comportamento e a palavra que explica tudo é: humildade!
Dispostos a aprender e aceitar regras, uma característica que fez da tradição - e não o individualismo - a maior força cultural japonesa, usaram a mesma educação para aplicar-se ao estudo daquilo que de melhor existisse no admirado (sim!) dominador. Mas o seguiram com tanta perfeição que o superaram!

Será que nós brasileiros deixaremos o "salto alto" e decidiremos, com ética, obediência, esforço redobrado, e sem a ânsia de "levar vantagem", seguir um caminho melhor coletivamente?


Egydio Hervé Neto
Rede PEABIRUS
Mediador em Projetos, Ventuscore e Rede SERGS







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