No Brasil, 23 mil engenheiros são formados por ano. Mesmo que fossem 50
mil, não atenderiam às necessidades do país.

No Brasil, 23 mil engenheiros são formados por ano. Mesmo que fossem 50 mil, não atenderiam às necessidades do país. Esses e outros números foram apresentados hoje durante entrevista coletiva que colocou a realização da WEC 2008 na pauta dos veículos de comunicação. Os EUA precisam de 100 mil engenheiros por ano. Formam 70 mil e buscam os 30 mil restantes em outros países. A carência de profissionais não é exclusividade brasileira.
Para o presidente do Confea, Marcos Túlio de Melo, um dos objetivos da coletiva foi apresentar à imprensa os representantes de entidades internacionais envolvidas com a realização do 3º Congresso Mundial de Engenheiros e falar da importância do evento que resultará em decisões que influenciarão os rumos do desenvolvimento mundial com sustentabilidade. Para ele, no momento em que as crises de petróleo e de alimento já ameaçam a estabilidade econômica de muitos países, a engenharia pode apresentar as soluções.
Marcos Túlio de Melo chamou a atenção também para a exposição ExpoWEC que com o tema Energia para o Futuro busca, através da análise e ótica de diversos profissionais, as soluções para questões emergenciais que estão em discussão em todo o planeta como a reutilização da água e a aplicação de novos materiais na construção civil . "Nossos processos produtivos terão que ser modificados para alçarmos as metas do milênio definidas pela ONU", lembra o presidente do Confea.
Ao abrir a coletiva, Marcos Túlio afirmou que a cinco meses de sua realização a WEC 2008 - como é conhecida internacionalmente -, registra cerca de dois mil pré-inscritos, entre eles 300 estrangeiros. Esse também é o número aproximado de trabalhos técnicos já catalogados.
Lembrando que o congresso teve sua 1ª edição na Europa, Alemanha, em 2000, e na Ásia, China, em 2004, Marcos Túlio destacou o fato de a 3ª edição ser realizada nas Américas. "Ampliamos a abra ngência das discussões ao agregar à WEC os congressos mundiais da UPADI, de Avaliações e Perícias, a 65ª SOEAA e os seus tradicionais fóruns da Mulher e dos Estudantes e jovens profissionais". Ele destacou ainda as parcerias com FMOI, Febrae, CNI, ACBIC, Abipti, governos federal e do Distrito Federal, ONU, UNESCO, Unido, entre outras, formalizadas para a produção do evento.
As visitas técnicas sugeridas pela programação - Itaipu, fábrica da Honda, em Manaus, empresas produtoras de etanol e biodiesel em São Paulo, e os campos petrolíferos de Angra dos Reis e Macaé, no Rio de Janeiro são algumas opções - Marcos Túlio falou que informações atualizadas sobre os eventos estão disponíveis no site www.wec2008.org.br
Formação, Mercado de trabalho e o Déficit de Profissionais no Brasil e no mundo
O presidente do Confea relaciona o déficit de profissionais à falta de investimento que por sua vez está ligado ao crescimento econômico. Marcos Túlio defende que as soluções passam por uma nova visão da engenharia o que exige a participação dos jovens: "hoje mais voltados para a área social, sem se lembrar que a engenharia é a responsável pela maioria das soluções dos problemas sociais, a questão do saneamento é apenas uma delas", afirma.
Geologia, engenharia de minas, siderurgia, a própria engenharia civil, segundo o presidente do Confea, sofrem os reflexos da falta de investimento. Para ele, o PAC é um estímulo que precisa ser aproveitado.
Barry Grear, presidente da FMOI (Federação Mundial das Organizações de Engenheiros), por sua vez, informa que também faltam engenheiros na Alemanha. Para ele, uma das razões é a ausência do estudo de ciências desde o 1º grau escolar.
Grear disse que na falta de novos, o mercado foi procurar os profissionais mais velhos e experientes, algumas faculdades ofereceram cursos de reciclagem, mas o nível era tão baixo que muitas recusaram os alunos".
Ao citar que a FMOI reúne 90 países e cerca de 15 milhões de engenheiros, Grear mostra preocupação em melhorar a qualidade do ensino da engenharia.Para ele, grande parte dos 700 mil profissionais que Índia e China formam juntas anualmente não tem a qualificação necessária. "Se não atrairmos os jovens para a engenharia será difícil cobrir o déficit que só tende a crescer". Outra questão fundamental para o presidente da FMOI é a mobilidade dos engenheiros em tempos de internet.
Para José Medem, ex-presidente da FMOI, o déficit de engenheiros é problema mundial. Ele chama a atenção para os investimentos feitos por países em desenvolvimento na formação de profissionais que depois vão atuar em outros países. "Essa fuga de cérebros é perigosa porque o profissional a serviço das nações desenvolvidas". Medem também concorda com a necessidade de maior estímulo para que os jovens optem por engenharia, na hora do vestibular.
Para Luiz Carlos Scavarda, responsável pelo Comitê de Programa da WEC 2008, o interesse do jovem será despertado com as oportunidades no mercado de trabalho e com um plano de ação a ser deflagrado em parceria com academia, governo e empresas no sentido de reformular o ensino e abrir oportunidades de bons salários.
A visão da UNESCO
Tony Marjoram, chefe do setor de Ciências e Engenharia da UNESCO, também participou da coletiva. Ele considera fundamental a educação e a qualificação em engenharia e sua aplicação no desenvolvimento. Marjoram afirma que tudo se relaciona com a engenharia, inclusive o combate a pobreza, o que implica no desenvolvimento social.
Ele anunciou que durante a WEC a UNESCO lançará o primeiro relatório sobre a Engenharia e os Desafios para o Desenvolvimento.
Maria Helena de Carvalho
Equipe de Comunicação do Confea