Não é qualquer um que completa um centenário de vida, imagine chegar a essa idade e ainda ter inúmeras conquistas de peso para comemorar. Com 100 anos completados hoje, 14.07, sem dúvida o palhocense João Eduardo Moritz faz parte de um grupo seleto.
Filho de imigrantes alemães, o interesse pela engenharia veio de criança quando ao invés de espiar os doces na confeitaria de seu pai, gostava mesmo era de observar as máquinas. Ficava encantado, queria saber como funcionavam. Também olhava as rodas das carroças e ficava fascinado com a movimentação daquelas peças, com o sistema de funcionamento.
A tendência foi reforçada pelas amizades do Colégio Catarinense, que foram estudar engenharia eletromecânica, em Itajubá, Minas Gerais. Então, com 17 anos, matriculou-se no Instituto Eletrotécnico e Mecânico de Itajubá, única faculdade no Brasil com esse tipo de ensino na época. Depois de formar-se, em 1929, foi à Alemanha fazer especialização.
Entre os destaques da sua carreira estão a participação na construção da primeira usina termoelétrica a óleo em Florianópolis e na construção da Usina Termoelétrica Jorge Lacerda, em Tubarão, hoje Tractebel Energia. Foi o primeiro engenheiro eletricista de Santa Catarina e instalou o primeiro gerador a óleo para reforçar a iluminação da capital que era precária.
Foi um dos fundadores da Associação Catarinense de Engenheiros (ACE) em 1934, entidade da qual foi presidente. Em 1940 dirigiu o setor de energia elétrica da Diretoria de Obras Públicas do Estado. O governador Celso Ramos convidou-o a integrar a Fundação Educacional do Estado e, na época, Moritz participou da criação da Escola de Veterinária em Lages, da Escola de Administração de Empresas (ESAG), da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) e da Companhia de Habitação do Estado de Santa Catarina (Cohab). Trabalhou em grandes empresas como a firma Carlos Hoepcke S.A e a CEISA-SC. Foi presidente do Figueirense Futebol Clube, de 1940 a 1941 e fundou o primeiro Iate Clube de Florianópolis.
A luta para a fundação do CREA-SC iniciou em 1957, em movimento liderado pelo engenheiro civil Celso Ramos Filho, com a participação do engenheiro João Eduardo Moritz e outros profissionais da época, que viram a necessidade de se criar um órgão oficial para orientar o desenvolvimento da engenharia. Foi conselheiro do CREA-SC por 4 mandatos, conselheiro federal e vice-presidente do CONFEA.
No início dos anos 70, Moritz passou a se interessar pelo sindicalismo, fazendo as primeiras negociações e primeiros acordos salariais com as empresas estatais. Já existia o CREA-SC para fiscalizar e regulamentar a profissão e a ACE que priorizava a parte social da engenharia. Faltava então uma entidade para defender os engenheiros em termos de salário. Então o engenheiro Moritz fundou o SENGE, inicialmente instalado em sua casa numa sala que virou seu escritório, com uma mesa, uma máquina de escrever e um telefone, que eram seus. Foi o primeiro presidente do Sindicato e reeleito por três mandatos.
Em 1975, do comando do SENGE, partiu para a presidência da FNE (Federação Nacional dos Engenheiros). A principal conquista referente a sua gestão à frente da Federação foi ter aberto sindicatos de engenheiros em todos os estados.
Foi governador do Rotary Internacional, é membro da Maçonaria e ainda participa de diversas entidades empresariais e clubes sociais. Para ele a receita para chegar aos 100 anos foi também ter se dedicado ao esporte. Participou de regatas a vela em nível internacional, representando o Brasil.
Trabalhou brilhantemente até os 90 anos. Seu exemplo de vida chegou a servir de inspiração para a poetisa e escritora Leatrice Moellmann, que produziu o livro "João Moritz e o Desenvolvimento de Florianópolis no Século XX".
Casou-se pela primeira vez com Maria Stela Amaral (falecida em 1978). Tiveram três filhos: João Eduardo Amaral Moritz – Engenheiro Industrial Mecânico e de Segurança do Trabalho; Antônio Carlos Amaral Moritz – Engenheiro Eletricista e de Segurança do Trabalho; Flavio Moritz. Tem seis netos e um bisneto. Depois de mais de 20 anos de viuvez conheceu Lídia Zapelini com quem se casou aos 92 anos e é até hoje sua grande companheira.
Um dos conselhos que deixa a todos nós é: “Tenha, primeiramente, disciplina e respeite hierarquia. Faça sempre o que gosta, porque se não gostar não adianta, tem que fazer com amor.”
Pelos relevantes serviços prestados à engenharia e à sociedade catarinense, e por sua participação como fundador e dirigente das três maiores entidades da Engenharia, Arquitetura e Agronomia é que o CREA-SC tem muito orgulho de prestar esta singela homenagem a seu mais antigo profissional registrado - João Eduardo Moritz. Você realmente é 100!