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[14-08-2009]

Arquitetura contra o crime

Brasília, 07 de agosto de 2009

 

Engenheiros e arquitetos podem dar uma contribuição decisiva para a segurança pública. Isso porque observar alguns detalhes no momento de planejar intervenções no espaço urbano pode diminuir a probabilidade de ocorrência de delitos e aumentar a sensação de segurança das pessoas. Trata-se do conceito de Arquitetura Contra o Crime, usado há muitos anos em países desenvolvidos, principalmente a Inglaterra. Para verificar se o conceito era adaptável à realidade brasileira, o coronel da polícia militar do Paraná Roberson Luiz Bondaruk pesquisou casas e lojas com maior número de roubos e furtos, além de ruas e praças onde o nível de criminalidade era mais elevado e entrevistou 287 presos que cumpriam pena por crimes contra o patrimônio no Departamento Penitenciário do Paraná.

 

“Com apoio de psicólogas e assistentes sociais, constatamos que as estratégias da Arquitetura Contra o Crime são altamente interessantes para a segurança em nosso país”, afirmou Bondaruk. Dos presos pesquisados, 36% disseram que optam por locais onde há menor trânsito de pessoas para praticar o roubo ou o furto e 30% procuram locais onde há obstáculos que dificultam a visão de testemunhas. Outros fatores apontados pelos entrevistados como facilitadores da ação criminosa são menor trânsito de veículos; menor claridade e obstáculos a serem transpostos.

 

O estudo, intitulado ”A influência do espaço urbano nos índices de criminalidade”, revelou também que 71% dos criminosos entrevistados preferem assaltar casas cercadas por muros altos. “Segundo eles, o muro facilita a transposição para dentro da casa, além de permitir que se aproximem sem ser vistos e depois, estando dentro da residência, que ajam com mais tranquilidade, pois vizinhos e passantes não podem ver o que acontece”, explicou. “A visibilidade é a melhor política de segurança”.

 

Nem sempre é fácil convencer as pessoas desse conceito. A arquiteta e urbanista Ana Karine Batista de Souza, conselheira federal do Confea pelo estado do Piauí, procura mostrar alternativas, mas nem sempre elas são bem aceitas. “Geralmente, os moradores querem muros, de preferência o mais alto possível”, afirma. Quando não é possível demover a pessoa que vai construir da ideia de cercar a casa com muro, a arquiteta procura pelo menos evitar detalhes na construção que possam servir de escada, por exemplo. Segundo ela, há vários detalhes que podem ser observados para aumentar a sensação de segurança, como esquadrias com grades, vidros jateados (em vez de película) e um bom sistema de iluminação externa.

 

A questão da iluminação inclusive é um dos tópicos mais importantes do estudo de Bondaruk. “A luz faz as pessoas se sentirem mais seguras, principalmente à noite, em função da sensação de controle visual do que ocorre à sua volta”, explica. “É preciso que as construções e as árvores estejam em harmonia com a iluminação, para não gerar sombras e locais de emboscada”. A vegetação próxima à residência, portanto, não deve ser muito densa, porque isso limita a visibilidade e pode permitir que pessoas mal intencionadas se escondam para abordar a vítima no momento em que ela estiver mais desprevenida.

 

Segurança

 

Ao construir sua casa, no Lago Norte, em Brasília, Peterson Luís Cardoso esteve atento a detalhes que poderiam aumentar a segurança de sua família desde a fase do projeto. Mesmo sem conhecer os conceitos da Arquitetura Contra o Crime, ele acertou em diversos detalhes, como o aumento da visibilidade de fora para dentro do lote e de dentro para fora. “Procuramos não deixar nenhum ponto cego, de forma que alguém pudesse se aproximar da casa sem ser visto ou se esconder para nos abordar de surpresa”, explicou Peterson. Para definir os detalhes de segurança, ele conta que tentou entender como alguém mal intencionado poderia agir e, assim, tentou neutralizar possíveis abordagens.

 

Os conceitos de Arquitetura Contra o Crime também valem para espaços públicos. Nesses locais, o paisagismo pode se tornar tanto um aliado como um vilão quando o assunto é segurança. Árvores com galhos mais baixos e arbustos sempre aparados melhoram a visibilidade do local e propiciam mais segurança. “É importante também inserir usos no local, como quiosques e bancas para o comércio, ou atividades para a comunidade, como quadras para a prática de esportes, por exemplo. Praças que são apenas campos gramados acabam sendo pouco frequentadas e isso facilita o mau uso do local ou sua depredação”, disse o autor do estudo.



Conheça alguns erros comuns na hora de definir o projeto da moradia:

 

(1) Muros altos, acima da altura da cabeça de uma pessoa normal, obstruem totalmente a visão da rua e vice-versa;
(2) Suporte de lixo encostado no muro, serve como degrau para transpor o muro ou andar por cima dele;
(3) Portões “cegos”;
(4) Muro em rampa, pode servir como acesso ao pavimento superior;
(5) Arborização reduzindo a visibilidade, eliminando a visão da janela;
(6) Telhado da garagem obstrui a visão do pavimento inferior e serve como rampa de acesso para o pavimento superior;
(7) Sacadas encostadas na lateral. Permitem acesso caminhando por sobre o muro ou vindo por cima do telhado do vizinho;
(8) Janelas do pavimento superior, desprovidas de proteção adicional, aparentemente frágeis, normalmente de alumínio, com vidros amplos e sem divisões de reforço;
(9) Caixa de luz, do lado do vizinho, saliente, junto ao portão e de fácil acesso, possibilita atingir a sacada da casa ao lado, escalando o telhado da garagem ou subindo por sobre o muro até ela.


Mariana Silva
- Assessoria de Comunicação do Confea

CREA-SC - Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Santa Catarina

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